Dulcídio Fernandes

Dulcídio Fernandes (Curitiba, PR, 1972), nome artístico de Dulcídio Rodrigues Fernandes Neto, é um pintor brasileiro dedicado principalmente à representação da paisagem. Sua produção concentra-se nas áreas rurais e naturais do Sul do Brasil, com destaque para as araucárias, os campos, as serras e os caminhos do Paraná.

O interesse pela arte surgiu dentro da própria família. Seu avô, Dulcídio Rodrigues Fernandes, foi desenhista e retratista, enquanto seu pai, Plínio Fernandes, desenvolveu uma produção artística ligada à pintura. Essa tradição familiar aproximou Dulcídio do desenho e da observação da natureza ainda durante a infância.

Começou a pintar por volta dos 14 anos, orientado pelo pai, que se tornou seu primeiro e principal mestre. Antes de permitir que o filho se dedicasse diretamente à pintura, Plínio insistiu na importância do desenho como fundamento para a construção das formas, dos volumes e da perspectiva.

Na década de 1980, o pai comercializava suas pinturas aos domingos na Feira do Largo da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba. Dulcídio acompanhava atentamente seu processo de trabalho, observando a preparação das telas, o desenho e a aplicação das cores. Posteriormente, passou a expor suas próprias pinturas no mesmo espaço.

A venda de uma de suas primeiras obras na feira serviu como incentivo para que continuasse pintando. O convívio no Largo da Ordem também o colocou em contato com diferentes artistas curitibanos, dos quais recebeu orientações sobre materiais, tintas e procedimentos técnicos.

Em 1988, após o falecimento do pai, Dulcídio permaneceu na feira e deu continuidade ao aprendizado iniciado em família. Embora essa formação tenha ocorrido principalmente por meio da prática, o artista também ampliou seus conhecimentos com estudos na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, pesquisas em livros, visitas a museus e galerias e participação em cursos e oficinas.

Entre 1994 e 2004, permaneceu parcialmente afastado da pintura em razão de outras atividades profissionais. Mesmo sem abandonar completamente a produção artística, não conseguia dedicar à pintura o tempo desejado. Em 2006, retomou o trabalho de maneira mais intensa, aprofundando seus estudos técnicos e suas pesquisas sobre a tradição da pintura de paisagem.

Participou de oficinas com Alexandre Reider e estudou a produção de artistas como Arthur Nísio e Luiz Pinto, além de paisagistas internacionais como Bill Anton, Scott Christensen e Richard Schmid. Essas referências contribuíram para o desenvolvimento de uma pintura construída pela observação direta, pelo domínio do desenho e pela interpretação das variações de luz.

Dulcídio define sua linguagem como uma pintura acadêmica contemporânea, próxima do impressionismo. Essa aproximação pode ser percebida nas pinceladas soltas, na atenção aos efeitos atmosféricos e na tentativa de registrar a luminosidade específica de cada lugar e de cada momento do dia.

O artista trabalha principalmente com óleo sobre tela. Sua pintura preserva uma estrutura figurativa reconhecível, mas não se limita à reprodução fotográfica da paisagem. As referências observadas ou fotografadas são reorganizadas por meio da composição, da cor e da pincelada, permitindo que a cena adquira uma atmosfera própria.

Araucárias, estradas de terra, rios, casas rurais, plantações, montanhas e animais são elementos frequentes em suas obras. A presença humana, quando aparece, costuma estar integrada à vida no campo e às atividades cotidianas, sem se sobrepor à paisagem.

Em muitas pinturas, a luz atravessa áreas de vegetação, destaca a copa das árvores ou ilumina pequenas construções ao longe. Em outras, a neblina encobre parcialmente as serras e reduz os contrastes, criando uma sensação de profundidade e silêncio. Amanheceres e entardeceres permitem ao artista explorar mudanças de temperatura cromática e diferentes relações entre céu, terra e vegetação.

A araucária ocupa uma posição central em sua iconografia. Mais do que um elemento reconhecível da paisagem paranaense, ela funciona como estrutura vertical da composição e como referência simbólica à identidade regional. Sua presença estabelece relações de escala, distância e permanência dentro da cena.

Embora o Paraná seja seu principal território pictórico, Dulcídio também retrata paisagens de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. O artista realiza estudos ao ar livre e utiliza registros fotográficos como apoio, procurando conhecer diretamente os lugares que posteriormente transforma em pintura.

Em 2010, apresentou a exposição individual Paisagem do Paraná, no Espaço Cultural do Hospital VITA Batel, em Curitiba. A mostra reuniu trabalhos voltados às paisagens naturais e rurais do estado, evidenciando o interesse do artista pela vegetação, pelas serras e pelos elementos característicos do planalto paranaense.

Em 2014, retornou ao mesmo espaço com a exposição Paisagens Rurais. Composta por 19 pinturas, a mostra foi desenvolvida a partir de registros realizados na Região Metropolitana de Curitiba e reuniu cenas de amanhecer, entardecer e da vida cotidiana no interior.

Seu trabalho também conquistou reconhecimento em salões de arte. Em 2016, recebeu menção honrosa na categoria pintura do 64º Salão de Belas Artes de Piracicaba, realizado na Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, com a obra Itaimbezinho-RS.

No ano seguinte, participou do 65º Salão de Belas Artes de Piracicaba com as obras Curva do Rio e Entardecer. A primeira recebeu o Prêmio Aquisitivo da Prefeitura Municipal de Piracicaba e passou a integrar o patrimônio público da cidade.

Paralelamente à produção autoral, Dulcídio Fernandes desenvolve atividades como professor de pintura. Sua prática docente dá continuidade ao aprendizado recebido do pai e à importância que o artista atribui ao desenho, à observação e ao exercício permanente como fundamentos da formação artística.

Sua obra reúne tradição técnica e observação sensível da natureza. Ao representar araucárias, campos, caminhos e pequenos núcleos rurais, Dulcídio não registra apenas a aparência de um lugar: preserva visualmente paisagens que se transformam com o avanço das cidades e com as mudanças na relação entre o homem e o campo.

Desde 2018, a Galeria de Arte Um Lugar ao Sol representa Dulcídio Fernandes e realiza a comercialização de suas pinturas.

 

FORMAÇÃO

Década de 1980 – Iniciação em desenho e pintura com seu pai, o artista Plínio Fernandes, Curitiba, PR, Brasil

Sem data confirmada – Estudos na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Curitiba, PR, Brasil

Sem data confirmada – Oficinas de pintura com Alexandre Reider

Formação continuada – Estudos de pintura de paisagem por meio de livros, museus, galerias, cursos, oficinas e práticas ao ar livre

 

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

2014 – Paisagens Rurais, Espaço Cultural do Hospital VITA Batel, Curitiba, PR, Brasil

2010 – Paisagem do Paraná, Espaço Cultural do Hospital VITA Batel, Curitiba, PR, Brasil

 

EXPOSIÇÕES COLETIVAS E PARTICIPAÇÕES EM SALÕES

2017 – 65º Salão de Belas Artes de Piracicaba, Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, Piracicaba, SP, Brasil

2016 – 64º Salão de Belas Artes de Piracicaba, Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, Piracicaba, SP, Brasil

2014 – Mostra d’Arte 2014, Centro Cultural Ítalo-Brasileiro Dante Alighieri, Curitiba, PR, Brasil

2013 – 1º Salão de Artes Plásticas Carlos Zemek, Curitiba, PR, Brasil

 

PREMIAÇÕES

2017 – Prêmio Aquisitivo da Prefeitura Municipal de Piracicaba pela obra Curva do Rio, 65º Salão de Belas Artes de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brasil

2016 – Menção Honrosa em Pintura pela obra Itaimbezinho-RS, 64º Salão de Belas Artes de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brasil

 

ATIVIDADE DOCENTE

Desde a década de 2010 – Professor de desenho e pintura, Curitiba, PR, Brasil

 

ACERVO INSTITUCIONAL

Pinacoteca Municipal Miguel Dutra / Prefeitura Municipal de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brasil — obra Curva do Rio

 

REPRESENTAÇÃO

Desde 2018 – Obras disponíveis na Galeria de Arte Um Lugar ao Sol, Curitiba, PR, Brasil