Jonas Lemes (Cambuquira, MG, 1964), nome artístico de Joaquim Jonas Mendes Lemes, é um pintor brasileiro autodidata. Nascido em 8 de setembro de 1964, iniciou oficialmente sua trajetória artística em 1990, aos 25 anos, e construiu uma produção marcada pela observação da natureza, pela memória do interior mineiro e pela preocupação com a preservação ambiental.
Seu interesse pela arte surgiu ainda na infância. Em Cambuquira, costumava observar as paredes marcadas pela umidade e pelo tempo, procurando formas, figuras e paisagens nas manchas. Com um lápis, contornava aquilo que sua imaginação identificava, transformando superfícies desgastadas em desenhos. Essa experiência inicial antecipou uma característica que mais tarde se tornaria central em sua obra: a capacidade de descobrir imagens e narrativas em materiais que já possuem marcas próprias.
Quando começou a pintar profissionalmente, em 1990, Jonas Lemes aproximou-se inicialmente da pintura acadêmica e do realismo. Essa referência diz respeito à construção técnica de sua linguagem, baseada no desenho, na composição, na perspectiva e na representação reconhecível da realidade, e não a uma formação acadêmica formal.
Durante os primeiros anos de carreira, participou de salões de arte e realizou exposições individuais, conquistando mais de vinte premiações em diferentes regiões do Brasil. Em 1996, recebeu um prêmio de viagem pela América do Sul e criou o Salão de Artes Plásticas de Cambuquira, iniciativa que reuniu artistas de diversas partes do país e contribuiu para a movimentação cultural de sua cidade natal.
No início dos anos 2000, estabeleceu-se em São Lourenço, no sul de Minas Gerais, onde abriu seu ateliê. A convivência com o Circuito das Águas passou a ocupar um lugar importante em sua produção. Cidades históricas, paisagens rurais, rios, fazendas, caminhos, jardins, árvores floridas e personagens do cotidiano aparecem em suas pinturas como registros afetivos da região e de seus modos de vida.
Embora permaneça ligado à figuração, Jonas Lemes não busca uma reprodução estritamente fotográfica da realidade. Suas paisagens são organizadas pela memória e pela sensibilidade, com alterações de luz, cor e atmosfera que aproximam a cena observada de uma dimensão poética. A precisão técnica convive com contornos suaves, luminosidade intensa e uma interpretação lírica da natureza.
Ipês, flamboyants, casarões, igrejas, montanhas, estradas e trabalhadores rurais são alguns dos elementos recorrentes em sua iconografia. Em muitas obras, a presença humana aparece integrada ao ambiente, sugerindo uma relação de continuidade entre o homem e a natureza. Mesmo quando não há personagens, caminhos, construções e objetos conservam sinais da experiência humana.
Um dos aspectos mais particulares de sua trajetória é a utilização de lonas de caminhão usadas como suporte pictórico. Depois de cumprir sua função original, esse material chega ao ateliê trazendo manchas, dobras, desgastes, costuras e marcas das viagens realizadas pelas estradas. Jonas Lemes não procura apagar completamente esses vestígios: incorpora-os à composição e permite que participem da construção da imagem.
Sobre essas superfícies, o artista combina pintura a óleo ou acrílica, desenho, veladuras, lavagens e, em determinadas obras, colagem. As interferências realizadas pelo tempo e pelo uso passam a dialogar com as figuras criadas pelo pintor, estabelecendo uma sobreposição entre a história anterior do material e a nova narrativa visual.
A escolha da lona também está relacionada à preocupação ambiental presente em sua produção. Ao transformar um material descartado em obra de arte, Jonas Lemes associa a pintura à reciclagem e à reflexão sobre o consumo de recursos naturais. Essa consciência também aparece na utilização de molduras produzidas com madeira de reflorestamento e nos temas que apresentam a natureza como patrimônio a ser preservado.
Essa pesquisa ganhou dimensão institucional em 2008, quando apresentou a exposição O Clássico, a Reciclagem, o Contemporâneo na Câmara dos Deputados, em Brasília. A mostra integrou a programação do Mês do Meio Ambiente e destacou a transformação das lonas de caminhão em suporte artístico como prática de reaproveitamento e conscientização.
No mesmo ano, realizou a exposição Ares de Minas no Espaço Cultural V Centenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A mostra reuniu pinturas que articulavam memória, paisagem e vida cotidiana, evidenciando uma linguagem que foi definida naquele contexto como um “novo realismo”, no qual observação objetiva e interpretação poética se encontram.
Em 2009, sua carreira ganhou circulação internacional com a realização de duas exposições em Paris. Posteriormente, apresentou seus trabalhos em instituições e espaços culturais no Rio de Janeiro, em Cambuquira, em São Lourenço e em Brasília.
A relação entre arte e consciência ambiental também orientou o projeto Arte na Lona — Expedição Rio Verde. Para realizá-lo, Jonas Lemes percorreu o Rio Verde, desde a nascente até a foz, observando as paisagens, as comunidades e as transformações ambientais encontradas ao longo do percurso. Essa experiência deu origem a uma série de pinturas executadas sobre lonas reutilizadas.
O projeto também resultou em um documentário idealizado e dirigido pelo artista. A produção confronta a beleza natural do Rio Verde com os danos provocados pela ação humana, reunindo arte, cultura e educação ambiental. Em 2021, o filme foi exibido pela Rede Minas em sua programação dedicada ao cinema.
Ao longo da trajetória, Jonas Lemes consolidou uma pintura na qual técnica, memória e responsabilidade ambiental se complementam. Seja na tela convencional, seja na superfície marcada de uma lona de caminhão, suas imagens preservam paisagens, personagens e modos de vida, ao mesmo tempo que propõem uma reflexão sobre a relação entre humanidade e natureza.
Atualmente, a Galeria de Arte Um Lugar ao Sol mantém obras de Jonas Lemes em seu acervo e realiza sua comercialização.
TRAJETÓRIA ARTÍSTICA
1990 – Início de suas atividades profissionais como pintor, Minas Gerais, Brasil
1996 – Criação do Salão de Artes Plásticas de Cambuquira, Cambuquira, MG, Brasil
2000 – Instalação de ateliê próprio em São Lourenço, MG, Brasil
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
2008 – Ares de Minas, Espaço Cultural V Centenário, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
2008 – O Clássico, a Reciclagem, o Contemporâneo, Corredor de Acesso ao Plenário, Câmara dos Deputados, Brasília, DF, Brasil
2009 – Duas exposições individuais, Paris, França
2016 – Exposição individual, Iate Clube do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2016–2017 – Cantos e Recantos de Cambuquira, Salão Nobre da Prefeitura Municipal de Cambuquira, Cambuquira, MG, Brasil
2017 – Exposição individual, Iate Clube do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2017 – Lonas com Arte, Hotel Brasil, São Lourenço, MG, Brasil
2018 – Cantos e Recantos do Brasil, Senado Federal, Brasília, DF, Brasil
PREMIAÇÕES E ATUAÇÃO CULTURAL
1996 – Prêmio de viagem pela América do Sul
Ao longo da carreira – Mais de vinte premiações em salões de arte realizados em diferentes regiões do Brasil
PROJETOS ARTÍSTICOS E AMBIENTAIS
1996 – Criação e organização dos primeiros Salões de Artes Plásticas de Cambuquira, com a participação de artistas de diversas regiões do Brasil, Cambuquira, MG, Brasil
Década de 2000 – Desenvolvimento de pesquisa pictórica sobre lonas de caminhão reutilizadas
2021 – Arte na Lona — Expedição Rio Verde, projeto artístico e documentário idealizado e dirigido por Jonas Lemes, Minas Gerais, Brasil
2021 – Exibição do documentário Arte na Lona — Expedição Rio Verde na Faixa de Cinema da Rede Minas, Belo Horizonte, MG, Brasil
CATALOGAÇÃO E PUBLICAÇÕES
Sem data confirmada – Catalogado no Dicionário de Artes Plásticas Brasil, de Júlio Louzada, volumes VIII a XIII
2021 – Arte na Lona — Expedição Rio Verde, publicação de Guiomar Paiva sobre o projeto de Jonas Lemes
ACERVOS INSTITUCIONAIS
Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil
Museu do Senado Federal, Brasília, DF, Brasil
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL
Atualmente – Obras disponíveis na Galeria de Arte Um Lugar ao Sol, Curitiba, PR, Brasil