Armando Romanelli (Rio de Janeiro, RJ, 1945), nome artístico de Armando Romanelli de Cerqueira, é um pintor, gravador e professor de arte brasileiro. Nascido em 20 de janeiro de 1945, construiu uma trajetória marcada pelo estudo da cor, da luz e do movimento, desenvolvendo uma interpretação pessoal da tradição impressionista a partir das paisagens, dos costumes e da religiosidade brasileira.
Filho dos artistas Carly Romanelli e Augusto Cerqueira, cresceu em um ambiente familiar ligado à pintura. Aos 15 anos, realizou sua primeira experiência pictórica utilizando um azulejo e tintas de parede. Incentivado pela mãe, começou a pintar de maneira autodidata e, em 1963, ingressou no Instituto de Belas Artes, onde estudou com Edgar Walter, Oswaldo Teixeira e Manoel Santiago.
A formação acadêmica forneceu ao artista fundamentos de desenho, composição e construção cromática. Entre 1965 e 1968, sua pintura passou por um período de transformação: a estrutura inicialmente acadêmica cedeu espaço a uma linguagem mais livre, luminosa e gestual, aproximada do impressionismo.
Em 1968, Romanelli recebeu a medalha de ouro no 1º Salão Duquecaxiense de Pintura. A comissão julgadora era formada pelos artistas Orlando Teruz, Silvia de Leon Chalréo e Quirino Campofiorito. Entre o final da década de 1960 e o início da seguinte, participou de salões e conquistou medalhas, menções honrosas e outras distinções.
Nesse mesmo período, integrou o movimento de artistas que expunham e comercializavam seus trabalhos na Feira Hippie de Ipanema, importante espaço de circulação cultural do Rio de Janeiro. Em 1972, deixou a feira e passou a trabalhar de forma mais próxima com galerias de arte, iniciando uma extensa sequência de exposições no Brasil e no exterior.
A paisagem ocupa uma posição central em sua produção. Romanelli encontrou na luminosidade tropical uma maneira de renovar as referências recebidas dos pintores impressionistas europeus. Em suas telas, amarelos, laranjas, vermelhos e azuis intensos formam áreas vibrantes de cor, atravessadas por contrastes de luz e sombra.
O artista costuma partir da observação direta da natureza, realizando estudos ao ar livre ou reunindo anotações para desenvolver posteriormente as composições no ateliê. Seu interesse não está na descrição minuciosa de cada elemento, mas na atmosfera da cena, na incidência da luz e na sensação de movimento produzida pelas pinceladas.
Paisagens rurais, trigais, colheitas, rebanhos, marinhas, jardins e feiras de flores aparecem com frequência em sua obra. Nessas composições, a cor não apenas descreve o ambiente: ela organiza os planos, conduz o olhar e estabelece o ritmo visual da pintura.
Em determinadas obras, a figuração torna-se mais livre e se aproxima da abstração. Formas e contornos se dissolvem em massas cromáticas, enquanto a textura e o gesto assumem maior protagonismo. Em suas cenas urbanas, a construção das figuras pode adquirir um caráter mais definido e expressivo.
Romanelli também se dedicou intensamente à representação da cultura popular e da religiosidade brasileira. Procissões, festas, celebrações, personagens bíblicos e imagens de devoção integram uma produção na qual o sagrado convive com cenas do cotidiano. O movimento das multidões e o emprego dramático da luz reforçam a dimensão emocional dessas composições.
A presença barroca pode ser percebida na teatralidade de algumas figuras, no uso de diagonais e na intensidade dos contrastes. Essa influência não aparece como reprodução de modelos históricos, mas como um recurso para acentuar o movimento, a espiritualidade e o caráter narrativo das cenas.
Outro tema recorrente é Dom Quixote, personagem que Romanelli representou em pinturas e gravuras. A figura do cavaleiro permite ao artista explorar imaginação, aventura e idealismo, além de estabelecer um diálogo com a tradição literária espanhola. Em 2006, sua obra foi apresentada no Museo Iconográfico del Quijote, em Guanajuato, no México.
Sua circulação internacional começou em 1973, com uma exposição em Londres. Posteriormente, apresentou trabalhos em cidades como Lisboa, Porto, Hannover, Atlanta, Miami, Naples, Jupiter, Coral Gables e Guanajuato, além de participar de exposições no Caribe.
Em 1987, foi publicado o primeiro livro dedicado à sua obra, intitulado Romanelli. Em 2002, o lançamento de Romanelli — As cores do tempo foi acompanhado por uma exposição retrospectiva na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro. O título sintetiza a importância da cor em uma produção desenvolvida ao longo de várias décadas.
Romanelli realizou ainda trabalhos destinados a espaços religiosos. Entre eles estão pinturas para a Capela Nossa Senhora das Graças, na Gávea; para a Capela de Santa Edwiges, em Teresópolis; para a Igreja Matriz de São Fidélis; e para a Igreja Santa Rosa de Lima, no Rio de Janeiro.
Em reconhecimento à sua trajetória, recebeu, em 1992, a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. No ano seguinte, recebeu o título de Cidadão Benemérito da Cidade do Rio de Janeiro. Em 2013, foi agraciado com a Ordem do Mérito Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.
Ao longo de mais de seis décadas de atividade, Armando Romanelli consolidou uma pintura reconhecida pela luminosidade, pela intensidade cromática e pelo movimento das pinceladas. Sua obra estabelece uma aproximação particular entre impressionismo, expressionismo, religiosidade, cultura popular e paisagem brasileira.
Desde 2020, a Galeria de Arte Um Lugar ao Sol trabalha com Armando Romanelli e realiza a comercialização de suas pinturas.
FORMAÇÃO E TRAJETÓRIA
1960 – Realiza sua primeira pintura, utilizando um azulejo e tintas de parede, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1961 – Incentivado por sua mãe, começa a dedicar-se à pintura de maneira autodidata, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1963 – Ingressa no Instituto de Belas Artes, onde estuda pintura com Edgar Walter, Oswaldo Teixeira e Manoel Santiago, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1965–1968 – Período de transição de uma formação acadêmica para uma linguagem pictórica próxima do impressionismo
1969–1972 – Participa do movimento de artistas da Feira Hippie de Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1972 – Passa a expor e comercializar regularmente suas obras por meio de galerias de arte
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS NO BRASIL
1970 – Exposição individual, Galeria Ricardo Montenegro, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1971 – Exposição individual, Galeria Thomas Jefferson, Brasília, DF, Brasil
1972 – Exposição individual, Galeria do Banco Andrade Arnaud, Copacabana, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1972 – Exposição individual, Galeria Ponto de Arte, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1973 – Exposição individual, Galeria do Banco Andrade Arnaud, Centro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1973 – Exposição individual, Galeria Acaiaca, Curitiba, PR, Brasil
1974 – Exposição individual, Galeria Intercontinental, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1974 – Exposição individual, Mini Gallery, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1975 – Exposição individual, Galeria Acaiaca, Curitiba, PR, Brasil
1975 – Exposição individual, Galeria Portal, São Paulo, SP, Brasil
1976 – Exposição individual, Galeria Picasso, Recife, PE, Brasil
1977 – Exposição individual, Galeria Graffiti, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1978 – Exposição individual, Galeria Lebreton, Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1979 – Exposição individual, Galeria Monet, Niterói, RJ, Brasil
1980 – Exposição individual, Galeria Toulouse, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1981 – Exposição individual, Galeria Masson, Porto Alegre, RS, Brasil
1982 – Exposição individual, Galeria Kátia, Salvador, BA, Brasil
1983 – Exposição individual, Galeria Borghese, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1984 – Exposição individual, Galeria Bahiarte, Londrina, PR, Brasil
1985 – Exposição individual, Galeria Masson, Porto Alegre, RS, Brasil
1985 – Exposição individual, Ranulpho Galeria de Arte, Recife, PE, Brasil
1985 – Exposição individual, Ranulpho Galeria de Arte, São Paulo, SP, Brasil
1986 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1987 – Exposição individual, Ranulpho Galeria de Arte, Recife, PE, Brasil
1987 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1987 – Exposição individual, Visual Galeria de Arte, Brasília, DF, Brasil
1987 – Exposição individual, Galeria Borghese, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1988 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1989 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1990 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1990 – Exposição individual, Visual Galeria de Arte, Brasília, DF, Brasil
1992 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1993 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1994 – Exposição individual, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
1994 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
1996 – Exposição individual, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
1997 – Exposição individual, Hogar Galeria de Arte, São Paulo, SP, Brasil
1998 – Exposição individual, Visual Galeria de Arte, Brasília, DF, Brasil
1998 – Exposição individual, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
1999 – Exposição individual, Via Lívia Galeria de Arte, Porto Alegre, RS, Brasil
1999 – Exposição individual, Época Galeria de Arte, Goiânia, GO, Brasil
2000 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
2001 – Exposição individual, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
2002 – Exposição retrospectiva e lançamento do livro Romanelli — As cores do tempo, Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2002 – Exposição individual, Visual Galeria de Arte, Brasília, DF, Brasil
2002 – Exposição individual, Galeria D’Alencastro Guimarães, Porto Alegre, RS, Brasil
2003 – Um passeio pelo mundo, Galeria Dom Quixote, Rio Design Barra, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2004 – Romanelli — 40 anos de pintura, Galeria Dom Quixote, Rio Design Barra, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2005 – Exposição individual, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
2006 – Quatro décadas de pintura, Galeria Dom Quixote, Brasil
2008 – Exposição da Galeria Dom Quixote, Clube Hebraica, São Paulo, SP, Brasil
2009 – Exposição da Galeria Dom Quixote, Clube Hebraica, São Paulo, SP, Brasil
2009 – Homenagem ao Ano da França no Brasil — Jardins de Giverny, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
2009 – Pelos pincéis do grande mestre, Galeria Dom Quixote, Rio Design Leblon, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2010 – Comemorando 29 anos de arte, Galeria Beatriz Telles Ferreira, Florianópolis, SC, Brasil
2014 – Romanelli — 50 anos de pintura, Galeria Dom Quixote, Shopping da Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
EXPOSIÇÕES INTERNACIONAIS
1973 – Exposição, Mara’s Gallery, Londres, Inglaterra
1974 – Exposição, Woodstock Gallery, Londres, Inglaterra
1980 – Brasilianische Kunst, Hannover, Alemanha
1981 – Exposição, Fórum Picoas, Lisboa, Portugal
1993 – Exposição, Il Centro Gallery, Atlanta, Geórgia, Estados Unidos
1994 – Art Miami, Embassy Gallery, Flórida, Estados Unidos
1995 – Exposição, Port Royal Gallery, Naples, Flórida, Estados Unidos
1997 – Exposição, Profile Art Gallery, Jupiter, Flórida, Estados Unidos
1997 – Exposição, Overseas Gallery, Coral Gables, Flórida, Estados Unidos
2000 – Exposição, Galeria Ipanema Park, Porto, Portugal
2001 – Exposição, Colony Club, Barbados
2006 – Exposição, Museo Iconográfico del Quijote, Guanajuato, México
PREMIAÇÕES E DISTINÇÕES
1968 – Medalha de Ouro, 1º Salão Duquecaxiense de Pintura, Duque de Caxias, RJ, Brasil
1968–1972 – Medalhas de ouro, prata e bronze, menções honrosas e outras distinções em salões de arte
1992 – Medalha Pedro Ernesto, Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1993 – Título de Cidadão Benemérito da Cidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2013 – Ordem do Mérito Judiciário, Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
OBRAS PÚBLICAS E RELIGIOSAS
1992 – Criação de imagem para selo comemorativo dos cem anos da Igreja Batista de Niterói e dos 130 anos da Primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1997 – Pintura para o altar da Capela Nossa Senhora das Graças, Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2000 – Pintura para o altar da Capela de Santa Edwiges, Teresópolis, RJ, Brasil
2002 – Pintura para o altar-mor da Igreja Matriz de São Fidélis, São Fidélis, RJ, Brasil
2009 – Painel de aproximadamente vinte metros quadrados para a Igreja Santa Rosa de Lima, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
PUBLICAÇÕES
1987 – Romanelli
1988 – Desenhos brasileiros
2002 – Romanelli — As cores do tempo. Rio de Janeiro: RBMC Comunicação e Arte
ACERVOS E COLEÇÕES INSTITUCIONAIS
Museu Adolpho Bloch, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Pinacoteca da Fundação Roberto Marinho, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Pinacoteca do Banco do Brasil
Pinacoteca do Banco Safra
Pinacoteca do Banco Bozano Simonsen
Pinacoteca da Varig
Museu de Arte de Londrina, Londrina, PR, Brasil
Museo Iconográfico del Quijote, Guanajuato, México
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL
Desde 2020 – Obras disponíveis na Galeria de Arte Um Lugar ao Sol, Curitiba, PR, Brasil