Guilherme Matter (1904-1978) nasceu em 20 de março de 1904, em Wiesbaden, Alemanha. Demonstrou interesse pela pintura ainda muito jovem e, em 1917, recebeu o prêmio “Caminho livre ao talentoso”, distinção que reconhecia artistas promissores em início de formação. Estudou artes plásticas com o professor Dr. Angermuller e ampliou sua formação artística por meio de viagens de estudo pela Holanda, Suíça, França e Itália. Em Paris, frequentou cursos de figurinismo e modelagem e teve contato direto com o ambiente artístico do Quartier Latin, onde aprofundou seus estudos de pintura ao lado de artistas como Sauergap e Oudará. Ainda nesse período, participou de exposições em cidades europeias como Paris, Lyon, Reims, Verdun e Marselha, além de Frankfurt, Munique e Wiesbaden, na Alemanha.
Em maio de 1924, mudou-se para o Brasil com a família. Após alguns anos afastado da pintura, retomou sua produção artística em 1935, já estabelecido em Curitiba. Nesse momento, o contato com artistas importantes do meio cultural paranaense, como o escultor João Turin e os professores Guido Viaro e Carlos Barontini, foi decisivo para que continuasse sua carreira artística. A partir de então, Matter passou a desenvolver uma pintura fortemente ligada à paisagem do Paraná, registrando campos, matas, caminhos rurais e elementos característicos do planalto paranaense, como as araucárias.
Bem integrado ao meio artístico local, participou de diversos salões oficiais de arte no Paraná, nos quais recebeu menções honrosas, medalhas e prêmios de aquisição. Ao longo de sua trajetória, também realizou exposições em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Joinville e Ponta Grossa, obtendo reconhecimento de público e crítica. Suas obras passaram a integrar coleções particulares no Brasil e no exterior, incluindo França, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Estados Unidos, Argentina e Uruguai.
A produção de Guilherme Matter caracteriza-se por uma pintura figurativa de base acadêmica, dedicada sobretudo à paisagem. Seus trabalhos registram o ambiente rural do sul do Brasil com atenção à luz, à vegetação e à atmosfera do campo. Em muitas obras, é possível perceber um colorido luminoso e pinceladas soltas que revelam discretas aproximações com a tradição impressionista, especialmente na forma de representar a natureza e as variações da luz sobre a paisagem.
Hoje, sua obra é vista como um importante registro pictórico das paisagens do planalto paranaense na primeira metade do século XX, reunindo valor artístico e também documental ao retratar a relação entre a natureza, o campo e a vida rural no estado do Paraná.
Há mais de 20 anos, a Galeria de Arte Um Lugar ao Sol preserva e difunde o legado artístico de Guilherme Matter por meio da comercialização de suas pinturas.