Luiz Mondego

Luiz Mondego (Rio de Janeiro, RJ, 1955) é o nome artístico do pintor, desenhista e ilustrador brasileiro Luiz Antônio da Costa Mondego. Começou sua vida profissional ainda jovem, na extinta revista O Cruzeiro, trabalhando com desenho e histórias em quadrinhos. Nesse ambiente conheceu o letrista Manoel Tenreiro, filho do artista e designer Joaquim Tenreiro, que se tornou seu amigo e primeiro grande incentivador.

Por volta de 1970, aos 15 anos, seguindo o conselho de Manoel Tenreiro, Mondego ingressou em um curso da Sociedade Brasileira de Belas Artes, no centro do Rio de Janeiro. Ali estudou aquarela com Waldir Granado, artista que exerceu influência decisiva sobre sua formação. O domínio da transparência, da luminosidade e da espontaneidade exigidas pela aquarela estabeleceu uma base técnica que posteriormente seria transportada para sua pintura a óleo.

Embora tenha encontrado no óleo maior liberdade de construção e melhor aceitação comercial, Mondego nunca abandonou sua admiração pela aquarela. O próprio artista relaciona a pincelada leve e fluida presente em suas telas à experiência adquirida nessa técnica durante a juventude.

Nas décadas seguintes, desenvolveu intensa atividade na imprensa e no mercado editorial. Trabalhou com humor gráfico, cartoons, caricaturas, histórias em quadrinhos, ilustrações, capas de livros e capas de discos. Também colaborou com a edição brasileira da revista MAD, embora as datas e os números exatos dessa participação ainda estejam sendo levantados.

Em 1980, foi convidado a trabalhar como ilustrador no Jornal do Brasil. Em 1984, assumiu a chefia do departamento de arte do jornal O Dia, conciliando a atividade editorial com a produção de suas primeiras pinturas.

Sua passagem pelo Sistema Jornal do Brasil também o aproximou da Rádio Cidade FM e do universo musical carioca. Mondego colaborou com o Jornal do Ouvinte, publicação ligada à emissora e editada por Fernando Mansur, criando ilustrações e trabalhos de humor relacionados à música popular e ao rock brasileiro daquele período. Para a publicação, desenvolveu a tira O Loucutor, protagonizada por um personagem inspirado no próprio Mansur.

Em 1984, realizou a capa e as ilustrações do livro No ar, o sucesso da Cidade: a que pegou todo mundo de surpresa, de Fernando Mansur, publicado pela Editora JB. O projeto incluiu uma solução gráfica bem-humorada para as orelhas do livro, representadas literalmente como orelhas humanas — um jogo visual relacionado ao universo do rádio, da música e da escuta.

Em 1990, o galerista Paulo Cezar conheceu suas pinturas e o convidou a integrar o elenco da Galeria Borghese. As obras de Mondego passaram a ser apresentadas nas diferentes sedes da galeria: Shopping da Gávea, Rio Design Leblon, Edifício Cândido Mendes e CasaShopping, na Barra da Tijuca. Esse encontro marcou sua saída definitiva da imprensa e o início da dedicação integral à pintura.

Sua primeira exposição individual ocorreu em 1995, na Galeria Borghese do Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro. A partir desse período, passou a apresentar suas pinturas em galerias e coleções no Brasil e no exterior.

Na pintura, Luiz Mondego desenvolveu uma linguagem figurativa de orientação impressionista, caracterizada pela luminosidade, pela pincelada espontânea e pela construção atmosférica da paisagem. Campos floridos, jardins, caminhos rurais, árvores, araucárias e pequenas construções aparecem envolvidos por uma luz suave, que dissolve os contornos e estabelece uma sensação de serenidade.

Os jardins constituem um dos núcleos mais reconhecíveis de sua produção. Em algumas composições, a profusão de flores, os reflexos na água e a vegetação envolvente remetem ao imaginário dos jardins de Giverny e à tradição impressionista. Mondego, entretanto, reorganiza essas referências por meio de uma paleta própria, marcada por verdes luminosos, azuis, violetas, amarelos e vermelhos distribuídos em pinceladas rápidas.

O artista também desenvolve paisagens costeiras, cenas urbanas e interpretações de temas literários, entre elas representações de Dom Quixote. Mesmo nessas obras, sua atenção permanece voltada para a relação entre movimento, cor e luz, mais do que para uma descrição rigorosamente documental da cena.

A experiência acumulada como desenhista e ilustrador continua perceptível na organização de suas pinturas. O enquadramento, a distribuição dos elementos e a condução do olhar demonstram um sólido conhecimento de composição, enquanto a liberdade da pincelada preserva o caráter sensorial de sua obra.

Luiz Mondego é membro da Academia Brasileira de Belas Artes, na condição de Acadêmico Livre. Ocupa a Cadeira 23 como seu quinto ocupante, tendo como patrono o pintor Augusto Bracet.

Em 2022, realizou a exposição individual Flores de Setembro, na Galeria de Arte Um Lugar ao Sol, em Curitiba. Em 2025, participou da exposição coletiva Um Bando de Dodôs, na Galeria Berlin, em Florianópolis, mostra dedicada à representação do pássaro extinto como símbolo de preservação ambiental.

Desde 2022, a Galeria de Arte Um Lugar ao Sol representa Luiz Mondego em âmbito nacional e realiza a comercialização de suas pinturas em todo o Brasil.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

2022Flores de Setembro, Galeria de Arte Um Lugar ao Sol, Curitiba, PR, Brasil
1995 – Galeria Borghese, Shopping da Gávea, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


EXPOSIÇÕES COLETIVAS

2025Um Bando de Dodôs, Galeria Berlin, Florianópolis, SC, Brasil


FORMAÇÃO ARTÍSTICA

c. 1970 – Estudos de aquarela com Waldir Granado, Sociedade Brasileira de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


ATUAÇÃO PROFISSIONAL

1990 – Integra o elenco de artistas da Galeria Borghese, com atuação nas sedes do Shopping da Gávea, Rio Design Leblon, Edifício Cândido Mendes e CasaShopping, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1984 – Chefe do departamento de arte do jornal O Dia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1980 – Ilustrador do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Década de 1970 – Desenhista e quadrinista da revista O Cruzeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


ILUSTRAÇÃO E PRODUÇÃO EDITORIAL

Década de 1980 – Ilustrações e criação da tira O Loucutor para o Jornal do Ouvinte, publicação ligada à Rádio Cidade FM, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
1984 – Capa e ilustrações do livro No ar, o sucesso da Cidade: a que pegou todo mundo de surpresa, de Fernando Mansur, Editora JB, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Data não confirmada – Colaboração com a edição brasileira da revista MAD
Datas diversas – Produção de cartoons, caricaturas, ilustrações e capas de livros e discos


ACADEMIA

Acadêmico Livre da Academia Brasileira de Belas Artes
Cadeira 23 – quinto ocupante
Patrono – Augusto Bracet