Schlenker

Harvey Schlenker foi um pintor curitibano cuja produção se desenvolveu de maneira reservada, em estreita relação com a paisagem paranaense. Ligado à comunidade alemã de Curitiba, cultivou desde jovem o montanhismo e os acampamentos na Serra do Mar. O Marumbi, o Anhangava, as florestas e o litoral do Paraná não eram apenas destinos frequentes, mas parte essencial de sua experiência e das imagens que mais tarde levaria para a pintura.

Embora tenha frequentado o ateliê de Alfredo Andersen, Schlenker considerava-se autodidata. Preferia pintar ao ar livre, instalando o cavalete diante das montanhas ou à beira-mar e permanecendo no local até concluir a obra. Sua linguagem aproxima-se do impressionismo pela atenção às variações de luz, à atmosfera e à observação direta da natureza, ao mesmo tempo que se vincula ao imaginário paranista. Entre seus contemporâneos, destacou-se ainda por reconhecer precocemente o talento de Miguel Bakun, seu vizinho e companheiro em jornadas de pintura.

Durante mais de seis décadas, Schlenker conciliou a atividade artística com a administração da Schlenker & Cia., comércio de artefatos de couro localizado na Travessa Alfredo Bufren, no centro histórico de Curitiba. Disciplinado e dedicado à rotina comercial, manteve por muitos anos sua pintura afastada dos círculos artísticos. Em casa, trabalhava frequentemente ao som de óperas; nos dias ensolarados, reunia seus materiais e partia em busca de novas paisagens.

Sua trajetória ganhou projeção em meados da década de 1970, quando foi descoberto pela galerista Nini Barontini. A primeira exposição organizada por ela teve todas as obras vendidas e deu início a uma parceria duradoura. Apesar do reconhecimento e da procura crescente de colecionadores, que passaram a visitá-lo inclusive em sua loja, Schlenker permaneceu avesso à vida social do meio artístico e preservou uma produção independente e intimista.

Casado por 57 anos com Janske Niemann Schlenker, poeta ligada ao círculo literário de Helena Kolody, o artista encontrou na convivência familiar e no contato permanente com a natureza os fundamentos de sua criação. Seu legado é formado por paisagens de identidade marcadamente regional, nas quais a luz, a vegetação e a geografia do Paraná são interpretadas com sensibilidade e personalidade. Construída longe dos grandes circuitos, sua obra ocupa um lugar singular na pintura paranaense pela autenticidade com que transformou o território vivido em experiência artística.

A Galeria de Arte Um Lugar ao Sol preserva o legado de Harvey Schlenker e de outros artistas paranaenses, mantendo viva essa história por meio da curadoria, da valorização e da comercialização de suas pinturas, aproximando novas gerações de colecionadores desse importante patrimônio artístico.